A Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ampliar os trabalhos de pesquisa de petróleo na Margem Equatorial. A decisão permite a abertura de três novos poços — Manga, Crotalus e Morpho Extensão — além da continuidade da perfuração do poço Morpho, que já está em execução.

A medida representa uma expansão do projeto inicialmente previsto para o bloco FZA-M-59, situado na costa do Amapá. A campanha, que começou com apenas uma perfuração, agora contará com quatro poços.
De acordo com a Petrobras, a empresa deverá organizar as próximas etapas da operação e definir o cronograma para a continuidade dos trabalhos exploratórios.
A perspectiva é que, caso as pesquisas apontem condições favoráveis para exploração comercial, a produção de petróleo na região possa ser iniciada em um prazo de até sete anos. O resultado poderá colocar a Margem Equatorial entre as principais áreas estratégicas para o setor energético brasileiro.
Novas regras para a atividade
A atualização da licença ambiental estabelece uma série de exigências para a continuidade das operações da Petrobras.
Entre as determinações estão:
- Mais perfurações: o projeto passou de uma para quatro perfurações autorizadas;
- Novo planejamento: a Petrobras terá até 30 dias para encaminhar ao Ibama uma atualização do plano de atividades;
- Medidas de proteção ambiental: as sondas deverão passar por verificações antes das operações, enquanto o lançamento de resíduos no oceano permanece proibido;
- Proteção da fauna: deverão continuar funcionando estruturas destinadas ao atendimento e resgate de animais encontrados na área de operação.
MPF questiona informações sobre o licenciamento
A ampliação das atividades também ocorre em meio a questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre o processo de licenciamento.
O órgão identificou diferenças entre declarações feitas por representantes do Ibama durante uma audiência e as informações registradas nos documentos administrativos.
Em 2025, integrantes do instituto haviam indicado que a atividade teria caráter pontual e duraria aproximadamente seis meses. Os registros oficiais, entretanto, apontam para uma campanha composta por quatro poços, com operações que podem se estender até 2029.
Na avaliação do MPF, a divergência pode prejudicar a transparência do processo e dificultar uma análise completa dos possíveis efeitos ambientais.
O órgão também chama atenção para os impactos que uma operação de maior duração pode provocar, principalmente sobre a vida marinha, a atividade pesqueira artesanal e as comunidades tradicionais existentes na região.
Expectativa econômica
A expansão das pesquisas na Foz do Amazonas também desperta expectativas relacionadas ao desenvolvimento econômico.
Se os estudos demonstrarem que os poços apresentam condições para exploração comercial, a produção poderá começar dentro de aproximadamente sete anos. A descoberta de novas reservas teria potencial para ampliar a produção brasileira de petróleo e criar uma nova área de atuação para a indústria energética.
Além dos possíveis efeitos sobre o setor de petróleo, a exploração da região pode estimular atividades econômicas locais, movimentar fornecedores e serviços e aumentar a participação da Margem Equatorial no cenário energético nacional.