A Alemanha e a OTAN defenderam neste sábado o fortalecimento da capacidade de defesa da Europa, após o anúncio dos Estados Unidos de reduzir sua presença militar no território alemão. A decisão amplia as tensões nas relações entre Washington e aliados europeus.
Segundo o Pentágono, cerca de 5.000 militares serão retirados da Alemanha ao longo de um ano — o equivalente a aproximadamente 15% do contingente americano no país, que atualmente soma pouco mais de 36 mil soldados.

A medida foi divulgada na sexta-feira e representa mais um abalo nas relações transatlânticas, que vêm se deteriorando desde o retorno do ex-presidente Donald Trump à Casa Branca. O cenário se agravou após divergências entre os Estados Unidos e países europeus em relação ao conflito no Irã, especialmente diante da recusa europeia em apoiar diretamente a ofensiva militar americana.
Diante desse contexto, autoridades alemãs e representantes da OTAN passaram a defender maior autonomia estratégica do continente europeu na área de defesa. A avaliação é de que a redução da presença militar americana reforça a necessidade de investimentos próprios em segurança e cooperação entre os países do bloco.
O debate sobre a independência militar europeia não é novo, mas ganha força em meio às incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança do continente. Especialistas apontam que a decisão pode levar a uma reconfiguração das alianças e prioridades dentro da OTAN.
Enquanto isso, o cenário internacional segue pressionado por conflitos no Oriente Médio. De acordo com o Pentágono, a guerra envolvendo o Irã já gerou custos de cerca de US$ 25 bilhões em apenas dois meses. Além disso, o país enfrenta dificuldades para superar o bloqueio naval americano no estratégico Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo.
Com a retirada parcial das tropas e o aumento das tensões geopolíticas, líderes europeus indicam que o fortalecimento da defesa regional será prioridade nos próximos meses.





